Rodeio

Rodeio
Depois de muitos anos, Cyro Martins faz uma comovida viagem ao Quaraí de sua infância e juventude. Muitos de seus sonhos, lembranças e observações surpreendentes nós já havíamos acompanhado através da vida dos personagens de Estrada Nova, Porteira Fechada e Sem Rumo, seus principais romances. Mas agora é o homem maduro, o homem de ciência que volta, quem sabe pela última vez – como ele mesmo confessa – para a terra que foi o manancial de sua obra e de seu trabalho. Volta à mãe-terra para se acercar uma vez mais da fonte primitiva de suas emoções.
Em cada página, o rasto de uma saudade, de uma charla ou de um causo É o escritor que chega “para uma apeada curta, com o montado pela rédea, para uns abraços, para uns amargos, para um vistaço de saudade pelos confins da querência”.
De estampa em estampa, vai lembrando os tempos mitológicos do cerro do Jarau e do Caverá, a escolinha do seu Caravaca, o primeiro professor, cujo abecê era certamente menos importante que a corrida a cavalo que jogava com seus colegas ao sair da aula. Retomando os caminhos da teiniaguá encantada e o rasto do boi barroso, símbolo crioulo da esperança, Cyro Martins refaz os “caminhos da revelação”. E foi deste modo que se preparou para nos revelar mundo dos homens calçados e a tragédia cotidiana dos homens de pé-no-chão. Cyro Martins não só observou as mudanças que ocorriam no campo, ainda pouco visíveis a olho nu, mas viveu a fundo este mundo em transformação. Soube registrá-lo sem mágoa; foi capaz de filtrar as suas vivências e, como todo bom romancista, mostrar aquilo que realmente importa a todos os homens. Neste sentido a volta à casa paterna é desde já uma página antológica. Só quem alcançou um sentido maior da vida consegue falar de problemas íntimos de um modo tão comovente mas paradoxalmente sereno.
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