Mario Quintana

Este trabalho de um poeta muito sensível, sobre outro poeta que já se tornou mítico na literatura sulina, articula, sob o signo da contradição, as principais características encontradas pela crítica na obra de Mario Quintana: a prática da metapoesia, o gosto pelo poema em prosa, a linguagem simples e alusiva, o desenvolto transito entre o clássico e o moderno, aliados a uma profunda ironia e a inesperadas inquietações metafísicas.
Centra-se na coletânea intitulada Poesias, vista como a mais representativa do poeta, mas abre-se a toda a sua obra poética, oferecendo esclarecedoras análises que partem de um ângulo sociológico, sem jamais obscurecer a dimensão estética dominante na poesia dos quintanares. O livro é secundado por uma completa Cronologia da vida e da obra de Quintana e uma útil Bibliografia, que inclui tudo o que importa de sua fortuna crítica. A distribuição dos assuntos é equilibrada, o tom é ensaístico, elegante e escorreiro, sem opor obstáculos conceituais ou terminológicos à leitura agradável que o texto propõe.
Como sondagem interpretativa de Poesias, este trabalho apresenta os melhores e mais originais insights sobre dois livros pouco conhecidos de Quintana: Espelho Mágico e Sapato Florido. Também o capítulo dedicado a A Rua dos Cataventos de uma sutileza difícil de ser igualada no trato com a forma do soneto, subvertida pelo modernismo do poeta.
Trata-se de uma competente e cativante investigação crítica, que oferece finas análises de poemas eleitos como exemplos significativos do todo de cada livro de Poesias – e eleitos com muita propriedade, pois os achados são extensíveis ao conjunto da obra do escritor. Graças à segurança teórica do analista e a sua arguta compreensão das ciladas do feiticeiro Quintana, o trabalho se constitui na mais perceptiva contribuição até agora aos estudos sobre o poeta.
Maria da Glória Bordini
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