Cobra Norato e outros poemas

Raul Bopp


BOPP, Raul
Coleção: , nº 168
Categoria: Literatura Poesia
Temáticas: ,
Prateleira:
Editora: Civilização Brasileira
Cidade: Rio de Janeiro
Formato: Brochura
Edição: 12ª
Nº de páginas: 150
Idioma: Português
Ano: 1978

Cobra Norato já é um livro clássico e, sem dúvida, uma das obras-primas legadas pelo Modernismo. Othon Moacyr Garcia, o melhor exegeta dessa obra de Raul Bopp, considera-o “o único e verdadeiro poema épico da literatura brasileira (porque é popular pela essência do tema e pela feição da forma verbal)”. Afirma o ensaísta que às tentativas anteriores no plano épico, “desde O Caramuru e o Uruguai, até o I Juca Pirama e O caçador de esmeraldas e quantos se arrolem como tais”, faltava “a feição de unidade temática e linguística, de vínculo popular e legítimo sabor de brasilidade”. Colocando lado a lado Macunaíma, de Mário de Andrade, e Cobra Norato, de Raul Bopp, o crítico traça então o seguinte paralelo entre essas duas obras capitais de um dado instante artístico nacional: “Se Macunaíma é o povo, o homem, Cobra Norato é a terra; se Cobra Norato é a terra, suas águas e florestas, Macunaíma é o seu duende. Ambos se completam, portanto, como símbolos da terra e da gente do Brasil, numa visão alucinada e fingida, vale dizer poética, da nossa história, origem e destino, Se assim é, Mário de Andrade e Raul Bopp, por que não, serão dois rapsodos modernos”. Diz mais Othon Moacyr Garcia: “A terra em Cobra Norato é terra grávida, amazônica, florestal, aquática, terra-do-sem-lhe-achar-fim, numa geografia sem limites”.

Poema de raízes folclóricas que ultrapassa, no entanto, o pitoresco e o decorativo, Cobra Norato realiza a fusão da linguagem poética e dialetal com o mistério de uma região feita de sortilégios, febres, dramas e tragédias – a Amazônia. É a “visão de um mundo paludial e como que ainda em gestação”, no dizer de Manuel Bandeira. Carlos Drummond de Andrade sustenta que Cobra Norato “é seguramente o mais brasileiro de todos os livros de poemas de poetas brasileiros, escritos em qualquer tempo”, obra que vê também como uma gesta do homem e do mundo primitivo, em geral, anterior às divisões políticas, na fronteira “das terras compridas do Sem Fim”. Tanto assim pensa que coloca “a poesia de Raul Bopp ao lado da do seu antecessor mais ilustre: Gonçalves Dias”.

Os escritores portugueses igualmente louvaram Cobra Norato. Ferreira de Castro, o romancista de A selva, o tem na conta de página imortal que figuraria em todas as antologias poéticas do mundo, se Raul Bopp a houvesse escrito em francês ou inglês, e José Osório de Oliveira aponta-o como “o mais estranho poema de toda a literatura brasileira”.

Nota introdutória: Antônio Houaiss.
Ilustrações: Poty.

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