Gaúchos no Obelisco

Gaúchos no Obelisco
Este romance tem como, pontos de referência histórico-geográficos o período da vida nacional que vai de 1929 a fins de 1937 e o ambiente político-social então dominante no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Começa num município da fronteira do Rio Grande com o Uruguai, em plena campanha gaúcha, e termina também num outro município de fronteira, igualmente na campanha. A trama novelística inicia-se despretensiosa em torno da Frente Única formada pela junção dos dois partidos políticos, Libertador e Republicano, adversários tradicionais, que mais de uma vez pelearam nas coxilhas. Com efeito, os partidos riograndenses, ao somar forças, visavam eleger Getúlio Vargas presidente da República, com o apoio importantíssimo de Minas Gerais e do Estado da Paraíba, pequeno, porém aguerrido. O presidente da Paraíba, João Pessoa, concorreu à vice-presidência na chapa de Vargas.
O romance se demora principalmente na descrição da atmosfera política que precedeu a Revolução de 30 e logo a seguir o autor dedica muitas páginas à visita do comandante da Guarda Civil de Porto Alegre às famílias dos soldados dessa corporação que tombaram no ataque ao Quartel General da Terceira Região Militar, em Porto Alegre. Segue-se a difícil e cansativa marcha dos entusiastas voluntários que lotavam compridas composições da viação-férrea rio-grandense rumo a São Paulo. Na fronteira desse Estado se travaria a batalha decisiva, porém a Batalha de ltararé não houve, porque a 24 de outubro uma junta militar, no Rio, derrubou Washington Luís, facilitando as coisas para os revolucionários, que, dias depois, entram na Capital da República festivamente. No elã dessa jornada vitoriosa, alguns rapazes da gente de Flores da Cunha encilham seus cavalos na Estação Central do Rio e marcham ao tranco e a trote até o Obelisco que se erguia com certa imponência na extremidade da Avenida Rio Branco, em frente ao Senado. E aí, aparentemente cumprindo uma promessa feita por um parlamentar gaúcho num momento de bravura cívica, ataram seus cavalos na base do monumento, valendo-se, para tanto, de uma estratégia improvisada, já que os cabrestos eram demasiado curtos para o desempenho da façanha. Flores da Cunha desaprovou o “feito” daqueles seus rapazes, que agiram à sua revelia.
Seguem-se os primeiros dias de vitória na Capital Federal, com grande esbanjo de exibicionismo dos integrantes das tropas de ocupação.
Voltando ao cenário rio-grandense, porém sem perder contato com o âmbito nacional, o livro se ocupa do governo de Flores da Cunha desde sua posse, em fins de 1930, até 11 de outubro de 1937, relatando, através, da criação literária, as múltiplas vicissitudes dessa fase da história gaúcha e nacional.
João Silveira, um rapaz simples da campanha de um município da fronteira, serve de fio para enlaçar as contas dessa longa, tumultuosa e por vezes compungente narrativa, que repudia de antemão qualquer parecença com o que habitualmente se qualifica de história romanceada.
O autor tomou o episódio do Obelisco para título, por julgá-lo simbólico do arrebatamento da época e do triunfo revolucionário.
Não pense o público que nesse romance de Cyro Martins so aparecem eventos políticos. Entremeada com os acontecimentos, há uma bela história de amor. Aliás as mulheres estão muito bem representadas nesse livro que, além do mais, evidencia as características da ficção de Cyro Martins: emoção poética, senso de humor e um vivo sentido de realidade.
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