Trabalho e Educação

A formação é um elemento constitutivo da Economia Solidária. Seria impossível imaginar uma experiência que assente suas bases na autogestão, que não tenha um trabalho educativo, buscando a construção de novos valores, ou, como dizem Lia Tiriba e Iracy Picanço: “uma nova cultura do trabalho”.
O fundamento da presença constitutiva da formação está no fato de que a metamorfose do “trabalho assalariado” para o “trabalho associativo” implica uma verdadeira mutação cultural, um processo de longa duração. Nas palavras de Gramsci, “uma revolução moral e intelectual”.
Nesta perspectiva, Paul Singer afirma que “a opção pela autogestão deve ser refeita a cada dia” e que “a prática orienta nossos princípios”. A construção conceitual da Economia Solidária é um “Experimentum Mundi” (Ernest Bloch), isto é, as experiências recentes nos diversos níveis portam um grau significativo de “experimentação social”, de aprendizagem coletiva na e pela práxis.
Com esta coletânea, abrangendo diversos campos e atores da Economia Solidária, articulados em torno da sistematização do eixo “Trabalho e Educação” em Economia Solidária e Autogestão, temos, sem dúvidas, pela primeira vez um produto que se torna ponto de partida obrigatório para quaisquer trabalhos de formação em Economia Solidária. Encontramos um vasto painel: a reflexão de experiências urbanas e rurais; educação popular; pesquisa acadêmica; políticas públicas de Prefeituras; ação educativa de ONGs, Escola Sindical e Incubadoras Universitárias. Recortes temáticos transversais e matrizes plurais. Um campo tão vasto quanto a própria Economia Solidária. Enfim, a tentativa de construir a “unidade na diversidade”. Sem dúvida, uma contribuição fundamental para o avanço, tanto das metodologias quanto do debate conceitual, em torno da Economia Solidária e da Autogestão.
Cláudio Araújo Nascimento e Valmor Schiochet
Secretaria Nacional de Economia Solidária-MTE/SENAES
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