A prole do corvo

A prole do corvo
O autor nos apresenta um painel do que foi o último ano da Guerra dos Farrapos, pondo a nu fatos não revelados, e recriando um universo caótico, de guerra, de paz e de ódio, num romance comovente e terno, onde a grande personagem é a intolerância humana.
Em A Prole do Corvo, Luiz Antonio de Assis Brasil utiliza seu instrumental com maestria e precisão e os personagens centrais são burilados em detalhes, resultando daí um elenco vivo e presente: Chicão, o estancieiro de Santa Flora, o soldado Cássio, Laurita e o personagem-eixo, Filhinho, têm um dinamismo interior e uma multifacetação não encontrados facilmente na literatura brasileira de hoje.
O pano de fundo e, consequentemente, a atmosfera em que se desencadeia a ação é a Guerra dos Farrapos, sobre a qual o autor lança uma nova luz, reveladora, talvez, de traços anteriormente obscurecidos dos mais importantes personagens participantes daquele movimento.
Perpassa, por todo romance, a dor, o desencanto e a amargura daqueles que ingenuamente não se engajaram no movimento revolucionário e que desconhecem (ou são ludibriados por aqueles que manejam os cordéis) os esquemas de interesse econômico que sustentam todas as guerras, tanto as de hoje como as de ontem. Em A Prole do Corvo fica definitivamente clara a fragilidade de qualquer argumento urdido para sustentar e justificar um ideal bélico.
Ao final da leitura, o cenário da ação se corporificou em um personagem a mais. A Guerra dos Farapos, presente ao longo da obra, tornou-se viva, autônoma como qualquer super-personagem que se esboroa, se esfacela melancolicamente deixando permanecer a verdadeira questão: quem foram os perdedores, quem foram os heróis?
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