Dr. Strangelove

O leitor preocupado com a ameaça que o progresso sempre crescente pode trazer à humanidade encontrará aliciantes neste livro de Peter George.
Assiste-se, com minúcia, ao processamento de um ataque nuclear, com todos os problemas, dúvidas, esperanças e avarias inerentes, participando-se inteiramente da angústia criada por um ato tresloucado. As pequenas rivalidades que o ser humano não consegue pôr de parte, mesmo tratando-se do aniquilamento total da vida no planeta, tomam uma cor de cinismo e caricatura, No entanto, longe de se revestir de um aspecto negativo, é essencialmente uma tomada de consciência e de responsabilidades perante a utilização nefasta de uma coisa boa em si: o progresso.
Em toda a narrativa, mesmo depois de terminada, há uma pergunta que transparece: que segurança, que sensação de otimismo e de certeza pode o homem ter perante uma arma nuclear, quando há tantos dedos a carregar em botões? Como pode a paz humana estar dependente de uma noite mal dormida, de uma indisposição física ou espiritual, de uma desconfiança entre nações que, ao fim e ao cabo, se regulam pelas mesmas leis de sobrevivência, ou até da vontade de um homem de deficientes qualidades mentais? Como é possível isso acontecer? Parece incrível, mas no livro Dr. Strangelove, assiste-se ao desenrolar de todos os meandros o problema, que matematicamente parece não ter outra solução: apenas a do aniquilamento total.
Estamos certos que, acabada a leitura deste livro, cada qual se sentirá mais responsável pela segurança do mundo e pelo bem-estar alheio, mesmo que esse outro seja o inimigo. É que neste jogo da vida não há um vencedor, mas todos serão derrotados, destruídos. A necessidade da vigilância e confiança mútuas é indispensável como ponto de partida, se quisermos ser merecedores da dignidade que nos confere o nosso bilhete de identidade de seres racionais.
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