Esquina Maldita

Esquina Maldita
Na esquina da Avenida Osvaldo Aranha com Rua Sarmento Leite – a Esquina Maldita, como ficou conhecida -, prosperou nas décadas de 1960 e 1970 um gueto boêmio com vida intelectual inquieta e independente, cujos protagonistas foram testemunhas e artífices do surgimento de uma cultura urbana contemporânea em Porto Alegre.
As duas vertentes que ali predominaram – a dos que pretendiam transformar o mundo e a dos que propunham revolucionar a própria vida – produziram uma boemia com ares existencialistas, que oscilava entre o proselitismo e a porra-louquice. Esse traço distingue com nitidez a Esquina Maldita dos demais pontos boêmios da cidade em sua época.
Por uma circunstância ou outra, a Esquina constituiu o cenário de vazão de uma demanda reprimida de anseios e expectativas, como um campo de batalha entre os princípios de prazer e realidade, ou – na
linguagem dos gregos antigos – entre Eros e Thanatos.
Reconstituir esse momento privilegiado da história recente de Porto Alegre, por meio do depoimento de mais de 80 personagens que dele participaram, permite repensar criticamente a herança deixada por essa geração de sonhadores, mas também alinhavar algumas de suas conquistas irretocáveis. Afinal, boa parte da cultura cosmopolita construída de modo instintivo e natural nas calçadas da Esquina Maldita se encontra plenamente consolidada nas primeiras décadas do terceiro milênio.
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