A revolução mexicana, 1910-1917

A revolução mexicana, 1910-1917

Anna Maria Martinez Corrêa


CORRÊA, Anna Maria Martinez
Coleção: , nº 62
Categoria: História
Temáticas: ,
Prateleira:
Editora: Brasiliense
Cidade: São Paulo
Formato: Brochura, Livro de Bolso
Edição:
Nº de páginas: 116
Idioma: Português
Ano: 1983

A Revolução Mexicana, desencadeada a partir de 1910 e que mobilizou grandes contingentes populacionais, atingindo amplos setores sociais, é considerada por um grande número de historiadores como a maior comoção social ocorrida na América Latina desde as guerras da independência. Antecedendo mesmo a revolução chinesa e a revolução russa, despertou a atenção de lideranças políticas de vários países latino-americanos, que passaram a ver nesse movimento um modelo a ser imitado. Ultrapassando mesmo o espaço da América, a Revolução Mexicana foi uma revelação para o mundo, uma movimentação inesperada.

Entretanto, os caminhos percorridos pelos revolucionários levaram-nos a resultados que nem sempre coincidiram com as propostas iniciais de luta, ou talvez, com aquilo que se idealizara a princípio. O final desconcertante, que, talvez por isso mesmo, não tenha sido aceito como tal por seus idealizadores, sendo transfigurado num constante refazer do movimento, permitiu a criação do fetiche da Revolução Mexicana que não se conclui, que se transforma num processo não-acabado, cada vez mais distante das massas, transformando-se num instrumento de manipulação delas.

A emergência de uma multiplicidade de lideranças, legítimas ou não, contraditórias, desencontradas por vezes, permitiu a hegemonia de um grupo que, investindo-se de legitimidade, passou a ver como inimigos antigos companheiros de luta. Assumindo o poder, os vitoriosos passaram a falar em nome dos “revolucionários”, cristalizando sua palavra numa peça institucional, a Constituição de 1917, fazendo da lei sua bandeira de vitória e seu escudo contra as investidas dos opositores. Entretanto, a Constituição de 1917 não representa apenas a vitória de um setor que se tornou hegemônico. Ela tem uma história que não é apenas do povo mexicano. Ela traz em seu bojo artigos que tratam das relações entre o capital e o trabalho. A incorporação dessa legislação à Constituição Mexicana de 1917 só é compreensível levando-se em conta a luta travada anteriormente pela classe trabalhadora em nível mundial. É importante ainda constatar a forma pela qual essa legislação foi incorporada ao texto institucional. Antes de significar uma vitória do trabalho sobre o capital significou a incorporação daquelas determinações legais sob a égide do capital. Por essas razões, 1917 representa o final de um determinado tipo de luta. Resta saber como um movimento, que contou com a mobilização de amplos setores das classes subalternas, com argumentação suficiente para sensibilizar tais setores, que acarretou um milhão de mortes, teve como resultado primeiro uma peça institucional que, se de um lado garantia direito a trabalhadores rurais e urbanos, tendo neste particular uma postura inovadora, por outro lado, inibia seu acesso ao poder, impedindo a ampliação da luta social, ou seja, impedindo a radicalização das propostas iniciais.

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